30 dezembro 2010

O Nelson das Pipocas e o Hugo das Farturas

(estamos na quadra do Natal e por isso vou fazer uma pausa nas minhas indignações. Em vez disso hoje vou relatar-vos uma história da vida real. Podia ser uma história de Natal... mas não é.)

Em tempos tive como vizinho no prédio um homem que tinha uma daquelas caravanas de farturas, pipocas, churros e cenas do género. A caravana dizia "Pipocas Nelson", por isso, e com alguma justiça, suponho, sempre o apelidei de Nelson das Pipocas. Havia também uma mulher, que também morava no prédio e também aparecia na caravana, mas nunca soube o nome dela, por isso, para efeitos desta história, vamos chamar-lhe, sei lá, Idalina, por exemplo. Nunca falei com eles além do habitual bom dia / boa tarde ao cruzarmo-nos no elevador, até porque eles não iam às reuniões do condomínio, que eram praticamente as únicas alturas onde eu dizia mais que bom dia / boa tarde aos meus vizinhos.

A caravana era presença regular nas festas de Cantanhede (ainda é), por isso, quando o assunto vinha à conversa, era até com algum orgulho que eu dizia que era vizinho do Nelson das Pipocas.

Até que um dia... tudo ficou virado do avesso.

Uma bela manhã um agente da polícia abordou-me à entrada do prédio. Perguntou-me:

- Diga-me uma coisa. Você conhece aqui no prédio um Hugo que vende farturas?

Eu achei estranha a pergunta, mas respondi, confiante:

- Hugo? Não... Conheço é um Nelson que vende pipocas!

O homem olhou para mim com cara de poucos amigos, pronto para me dar um sermão por estar a gozar com a autoridade.

- Como?
- Sim, há aqui um Nelson que vende pipocas. Mora no segundo direito. Agora Hugo, não conheço.

E com isto o homem mandou-me embora e foi tocar na campainha do segundo direito. E eu lá fui, mas fiquei a matutar naquilo. É pá... Hugo que vende farturas? Quem é o Hugo que vende farturas? Será que me enganei?

Durante uns tempos não soube mais nada. Mas as teorias fervilhavam na minha mente. Provavelmente Hugo e Nelson viviam os dois na mesma casa, com Idalina. O Hugo tratava da parte das farturas, e o Nelson da parte das pipocas. Será que faziam um ménage-a-trois com Idalina? Parecia-me estranho visto que nunca tinha visto ninguém no prédio que correspondesse ao Hugo das Farturas, mas eu morava no quarto andar e dali não dava para saber o que se passava no segundo. Ou então, o homem que eu conhecia era o Hugo das Farturas, e o Nelson das Pipocas, que não morava lá, tinha-lhe vendido a caravana, permitindo a Hugo e Idalina continuarem o negócio.

Mas a minha teoria preferida é que não só Hugo tinha tomado a caravana de Nelson, mas tinha tomado também Idalina e o apartamento. O Nelson das Pipocas seria um homem acabado, que não teria resistido ao evoluir dos tempos e das mentalidades, e cujo império que a muito custo e ao fim de muitos anos tinha conseguido construir, um império à base de pipocas, tinha sido usurpado por jovens oportunistas e sem escrúpulos como esse Hugo. Nesse tempo haviam histórias (com ou sem fundamento, não sei) de discussões no segundo direito. Eu imaginava que essas discussões eram alguma coisa deste género:

- Idalina! O que estás a fazer agarrada a esse homem?
- Nelson, já não quero nada contigo! Eu amo o Hugo e vou-me casar com ele!
- O quê? Mas ainda ontem me dizias que me amavas e ao meu império de pipocas!
- Meu Deus, Nelson! Ainda vives na idade da pedra? Pipocas, Nelson? Quem é que quer saber de pipocas? Farturas é o que está a dar! O Hugo é um homem com visão! Vamos fazer daquela caravana a melhor caravana de farturas do mundo!
- Não! Tudo menos a minha caravana!
- Esqueces-te que eu tenho direito a metade dela? E vais vender-nos a outra metade se não queres que eu e o Hugo te façamos a vida negra! Ai, farturas... o que eu não dava agora por uma fartura!
- Idalina...

Enfim... os meses foram passando, e eventualmente Nelson/Hugo e Idalina saíram do apartamento. Continuava a vê-los na barraca de farturas, mas nunca mais soube nada deles. Até que um dia cheguei à caixa do correio e estava lá uma carta, no sítio onde normalmente colocam as cartas com endereços errados para serem devolvidas. Peguei na carta para ver para quem era.

A carta era para o segundo direito. E era dirigida a um "Hugo Nelson".

E então fez-se luz na minha cabeça. De repente, tudo fazia sentido! Não pude esperar para contar a novidade à minha esposa. O elevador estava ocupado, por isso subi as escadas de dois em dois degraus até ao quarto andar. Abri a porta e gritei, ofegante:

- Mulher! Anda cá depressa! Consegui! Consegui descobrir o mistério!
- O que é que foi, homem? O que é que se passa?
- O Nelson das Pipocas e o Hugo das Farturas... são uma e a mesma pessoa!!!

03 dezembro 2010

Quem quer ser capa da TV Guia? (Parte 2... onde é que eu já li isto?)

Vejam aqui a primeira parte deste artigo.

Por dentro a TV Guia é uma revista cor-de-rosa igual às outras: apanham-se as celebridades em flagrante na praia, descobre-se quem é que namora ou que deixou de namorar, regista-se quem foi despedido, ou se zangou com alguém, ou está a morrer, porque tudo isso vende. Tem as crónicas de pessoas respeitadíssimas como Carlos Castro e Carlos Dias da Silva, que se entretêm a dizer mal dos vestidos das celebridades ou a comentar com língua viperina o último "escândalo". Os amigos do casal, aqueles personagens que se dispõem a contar os pormenores mais sórdidos da uma nova relação, e que muitas celebridades já vieram dizer que se realmente tivessem amigos destes não precisavam de inimigos, são uma constante.

No entanto, a TV Guia tem alguns pormenores interessantes. Primeiro pormenor: o Tony Carreira tem que aparecer na revista todas as semanas. E quando digo todas quero dizer mesmo todas. Não há uma só edição da revista em que não apareça uma história dele ou de algum elemento da família, e se houver, estou certo que o cantor ou o seu clube de fãs não deverá hesitar em processar a TV Guia. Com a Alexandra Lencastre é quase, quase a mesma coisa, mas neste ponto o Tony Carreira é especial. Cerca de 80% das edições de revista têm duas páginas dedicadas ao cantor, e há sempre matéria para escrever, nem que se vão buscar histórias de há 5 anos antes.

O segundo pormenor são as secções "Isto é Verdade?" e "Onde já li isto", onde a TV Guia se entretém a cascar forte e feio na concorrência. Na primeira a TV Guia analisa as notícias da concorrência e dispõe-se a confirmar ou a refutar essas notícias, embora naturalmente refute mais do que confirme. Mas a segunda é a minha preferida, a verdadeira pérola da revista. Na rubrica "Onde já li isto" a TV Guia confronta as datas de saída das notícias na sua própria revista e nas revistas da concorrência, deixando bem claro que a TV Guia foi a primeira a lançar a notícia, e que as outras, de certa forma, copiaram a notícia que tinha sido dada por ela, tudo isto com um tom de gozo e de desdém impressionantes:


O tom de sarcasmo, de ataque pessoal com que estas críticas à concorrência são feitas é tão sincero, tão libertador que eu imagino os empregados da TV Guia a revezarem-se para serem eles a escrever a rubrica em cada semana, com gritos de "Escolhe-me a mim! Esta semana sou eu! Já há uma data de semanas que não sou escolhido! Eu também quero escrever a rubrica!", e por fim a pular de alegria e excitação quando finalmente são escolhidos.

Apesar de tudo, há qualquer coisa que me faz desconfiar. Primeiro, a TV Guia nunca avisa quando são os outros a dar a notícia primeiro que eles. Será que eles são os primeiros de todas as vezes? E o que dizer do tempo que leva desde que a notícia é dada na TV Guia até que é dada noutra revista, que por vezes é de um, dois, três meses? Será que as outras revistas cometem mesmo o erro crasso de dar uma notícia três meses depois de esta surgir? Eu tenho outra teoria. Eu acho que a TV Guia inventa as notícias primeiro, e depois confirma se é mesmo verdade. Às vezes acerta. A coisa funciona mais ou menos assim:


Por vezes acontece ao contrário e as histórias até são verdadeiras e não são inventadas (OK, a maior parte del... metade d... algumas delas.). E nestas situações a TV Guia joga a sua carta de dentro da manga, que é simplesmente usar o facto de a TV Guia sair à Segunda e a Maria sair à Quarta (ou qualquer coisa do género, eu não compro as revistas, como é que querem que eu saiba?) para poder dizer que a segunda copiou pela primeira! Mais incrível ainda, chegam a acusar o DN de plágio por apresentar as notícias no mesmo dia da revista! Really????? Para quando um Onde Já Li Isto de um jornal que coloca as notícias no dia anterior ao da TV Guia, para o acusar de copiar, através de poderes psíquicos, as notícias no momento em que elas estão a ser escritas?

Por fim, o conteúdo. Vamos lá ver, a acusação de plágio seria grave e pertinente se a TV Guia tivesse sido a primeira a reportar um escândalo de pedofilia, ou uma mudança de mãos do comando de uma das principais televisões, ou simplesmente o próximo projecto de um actor. Mas o que nos aparece é: "Ai, nós fomos as primeiras a dizer que a Joana e o Eduardo se iam casar na novela das sete, perdão, da uma da manhã! A Maria só se lembrou disso dois meses depois!" Sim, e? Mesmo para as pessoas que vêem a novela, não é um bocado chato ter revistas a andar por aí a contar o final da história? E mesmo para quem gosta de saber o final, pelo menos a Maria tem timing, coloca a previsão uma semana antes do acontecimento, e assim não fica esquecida. "Ai que burras, só agora é que sabem que a Rita Pereira namora? Já há um mês que nós sabíamos que eles já moravam juntos!" Who cares? Porque é que não deixam mas é a Rita Pereira em paz e vão escrever sobre programas de televisão, sobre programas de televisão, que é o que uma revista chamada TV Guia devia fazer?

Não queria acabar sem mencionar o mais recente estado de tristeza e revolta de famosos como a Alexandra Lencastre, o Tony Carreira e a Luciana Abreu. Sentem-se desprezados, e não é para menos. Desde que a Casa dos Segredos arrancou na TVI, nunca mais foram vistos, pois não há uma capa da TV Guia desde o início do programa (já lá vão 10 semanas!) que não seja de um concorrente do mesmo. Cheira-me que vamos ter um processozinho colectivo...

23 novembro 2010

Disponha ponha ponha ponha!

Apresento-vos o verbo dispor:

(latim dispono, -ere, pôr em diferentes lugares)
  v. tr.
  1. Pôr por ordem.
  2. Pôr em ordem.
  3. Ordenar, mandar.
  4. Resolver, preparar.
  5. Plantar.
  v. intr.
  6. Testar; ordenar em testamento.
  7. Ter à sua disposição.
  8. Ser o senhor.
  9. Regular por lei ou ordem.
  10. Prescrever o uso (que se há-de fazer de).
  11. Servir-se, utilizar-se.
  12. Deixar à disposição (de outrem).

Gostamos de dispor quando queremos dispor as fichas por ordem alfabética, dispor os livros na estante por autor, dispor os DVD's por ordem cronológica de realização do filme. Também gostamos de uma casa que dispõe de lareira e cozinha equipada, um carro que dispõe de ar condicionado, etc.

Gostamos de estar bem (embora às vezes fiquemos mal) dispostos, gostamos de estar dispostos a arriscar, gostamos de ter disposição para fazer as coisas que temos de fazer. Gostamos de estar à disposição dos outros, e gostamos de ter alguém à nossa disposição quando precisamos.

Tudo bem até agora? Então pergunto agora se gostamos de dispor. Dispor de quê? Dispor o quê? Dispor. Mas de quê? Não sei, de nada... Simplesmente, dispor.

Tipo, estás ali, numa boa, sentado a fumar um cigarro e a dispor. E chegam ao pé de ti e perguntam, "é pá, estás a dispor?" E tu, "é pá, estou." E eles, "é pá, vê lá, não disponhas muito, e tal" E tu, "ó pá vai-te lixar, eu disponho aquilo que eu quiser! Andor!" e coisas do género.

Faz sentido? Não? Não sei, deixo isso à vossa disposição. O que é certo é que acontece. Basta irem a uma loja de roupa e começarem a vasculhar, que aparece logo uma rapariguinha simpática que diz:

- Se precisar de alguma coisa, é só chamar.

Hã? Espera, não é isso que ela diz. O que ela diz é isto:

- Se precisar de alguma coisa, estou à sua disposição.

Aaa não, também não é bem isso. Isto é que ela diz:

- Se precisar de alguma coisa, disponha.

Pois, era mesmo isto.

Disponho o quê? As roupas por cor? Por tamanho? Disponho as roupas que pretendo em cima da mesa? Disponho os meus pedidos de ajuda ao balcão? Disponho num quadro branco as coisas de que preciso? Disponho o quê? Disponho de quê? De nada... simplesmente, disponho.

A menos que... a menos que o que ela quer dizer seja "Se precisar de alguma coisa, disponha de mim para aquilo que precisar". Mas isto não será abusar um bocado da rapariga? Coitada...

Bem... para alguma coisa meti a definição de dispor lá em cima. Deixa-me cá dispor as várias alternativas, eh eh. Saltamos os v. tr. porque esses não são de certeza (plantar?!). Ora vejamos... número 6: "Se precisar de alguma coisa, ordene-a em testamento". Não... Número 7: "Se precisar de alguma coisa, está à sua disposição". Mas não, não está à disposição, senão não precisava da rapariga... Número 8: "Se precisar de alguma coisa, você é o senhor". Bem, fico lisonjeado, mas lá voltamos à história dos abusos... Número 9: "Se precisar de alguma coisa, ponha-a por ordem". Mas como é que eu ordeno só uma coisa? Número 10: "Se precisar de alguma coisa, usa-a depois". Hã?!!! Número 11: "Se precisar de alguma coisa, sirva-se". Olha, que mal educada, então não vem ajudar-me? Enfim... Número 12: "Se precisar de alguma coisa, deixe-a à minha disposição". Hum, mas é suposto ela estar à minha disposição ou a coisa estar à disposição dela? Eu é que estou a ficar mal disposto...

Bem, para abreviar, depois de muito pensar no assunto acho que percebi. O que ela diz, na verdade, é "Se precisar de alguma coisa, diz "ponha"". Ah, e assim percebe-se! Claro! Faz todo o sentido! Portanto já sabem, se precisarem de ajuda numa loja é só começarem a gritar: PONHA! PONHA! POOOONNHAAA!

26 outubro 2010

Quem quer ser capa da TV Guia? (Parte 1)

(o primeiro artigo deste blog que já se sabe à partida que vai ter uma segunda parte. Quem é amigo, quem é? Enjoy.)

Lembram-se de quando a TV Guia era assim?


Bons tempos, bons tempos, em que havia uma revista que nos dizia o que ia dar na TV. Pois. Agora, a TV Guia é assim:


Não sei em que ponto é que a TV Guia deixou de ser a revista de referência da programação da TV para passar a ser uma revista cor-de-rosa igual a tantas outras. A certa altura devem ter pensado "é pá, as revistas da concorrência ganham rios de dinheiro a contar as aventuras da Rita Pereira com o Angélico e nós aqui com entrevistas ao Tarcísio Meira!" e pimba! lá se passaram para o lado do cor-de-rosa (e sim, o "pimba" foi intencional). No entanto, não quiseram fazer uma simples passagem para o cor-de-rosa, quiseram fazer algo em estilo. Uns convites ao Carlos Castro e ao José Castelo Branco para comentar, o achincalhar das revistas da concorrência, a contratação de uma dúzia de amigos do casal que estão sempre prontos a contar os pormenores mais sórdidos das celebridades... enfim, mas quanto ao conteúdo deixo-o para a segunda parte. Desta vez quero falar de um pormenor com que a TV Guia levou o cor-de-rosa ao rubro, algo que foi afinado ao pormenor e que é sempre perfeitamente executado, semana após semana: as capas enganosas.

Antes de mais, voltemos ao título deste artigo: querem ser capa da TV Guia? É muito fácil, para ser capa da TV Guia, só é preciso ter uma destas quatro coisas:

  • Ser a Alexandra Lencastre, ou
  • Ser o Tony Carreira, ou
  • Ser a Rita Pereira ou a Luciana Abreu, ou
  • Ser famoso e estar envolvido numa espécie de escândalo que a ser escândalo nem seria assim grande coisa mas no final de contas nem sequer é verdade.
É impressionante o apreço que a TV Guia tem pela Alexandra Lencastre e pelo Tony Carreira, porque volta e meia lá aparecem eles outra vez na capa. Pelo menos uma vez em cada dois meses é garantida. A Rita Pereira é também uma celebridade emergente nesta revista: no mês de Junho, foi capa em três das quatro revistas que foram lançadas. Parecem ser aquelas pessoas que estão sempre lá e se vão buscar quando não há mais nada de especial no mundo cor-de-rosa... "Esta semana não se passa nada, o que é que se há-de fazer? - É pá, olha, mete-se a Alexandra Lencastre e diz-se que está deprimida."

Mas o que vem a ser isto das capas "enganosas"? É assim, não é que a TV Guia esteja propriamente a mentir na capa, mas digamos que... olhem, vou-vos dar um exemplo dos mais recentes:


Eh lá! A Júlia Pinheiro casou-se? Em segredo? Com quem? Então mas ela não era já casada? É pá, que escândalo, vou já comprar a revista para saber tudo!

E assim, depois de folhear a revista de uma ponta à outra e encontrar a história quase na última página, descobre-se afinal que quem se casou em segredo foi a enteada da Júlia. Mentiram na capa? Não! Ali só diz "Casamento em Segredo", não diz quem é que se casou!

Não sei quem tem as ideias para estas capas mas isto são golpes de génio. Incentiva-se o leitor a comprar a revista por um escândalo bombástico para o fazer depois descobrir que não há escândalo nenhum, e não é nada de especial. Mostro-vos outros exemplos a seguir:

As fans do Tony Carreira devem entrar em pânico com notícias destas. Oh meu Deus, o Tony Carreira doente, e agora como é que eu vou ver os concertos dele? Não se preocupem, as letras miudinhas da capa dizem que ele está arrasado mas a doença não é dele, é do seu amigo Ricardo Landum...


Pobre Mickael, um rapaz explorado pelo pai, que o obrigou a servir às mesas em Paris para que o filho soubesse o que custa a vida! Mas afinal... o emprego durou apenas duas semanas, e foi o próprio Mickael que quis ir trabalhar, o pai limitou-se a aceitar a decisão dele...


Cá está a nossa Júlia Pinheiro outra vez... Sozinha em férias? Coitada... Mas nas páginas interiores só aparecem fotos dela em férias com... o marido! Estranho, não percebi... o marido não é ninguém?!

Falando em férias, o nosso Tony também não está muito bem neste aspecto. Pai solteiro? Que aconteceu à mulher? Separado? Oh, o drama, o horror... O que vale é que é só por um mês, porque a mulher tem de ficar a trabalhar.

E por fim, não posso deixar de meter esta, que está espectacular. Tony Carreira Perde o Filho. Perde? Como? A mulher estava grávida e abortou? Um dos seus filhos morreu? Não, vai para Itália fazer de modelo e jogar futebol... Só me faz lembrar este sketch dos Gato Fedorento em que o gajo também tem um filho que lhe morreu...

Por fim, deixo só mais alguns de que me lembro mas que já não encontrei para colocar aqui. Uma delas, também com o Tony Carreira, dizia qualquer coisa como "Tony Carreira Sofre Por Doença", quando afinal era uma doença que ele já tinha tido, e pela qual já tinha sofrido, há 20 anos. A segunda já não me lembro de quem era, mas na capa estava escarrapachado "<celebridade> Fala Sobre A Sua Homossexualidade" para depois nas páginas interiores se ler "Não Sou Homossexual".

Nota: é possível que haja pessoas incomodadas pelo facto de eu falar apenas na TV Guia e não nas revistas da concorrência,  talvez até a própria TV Guia leve a mal o facto de eu não fazer o "contraditório" com os restantes magazines do cor-de-rosa. A esses respondo-lhes apenas que tem a TV Guia muita sorte por a minha mãe, mesmo assim, continuar a comprá-la, em vez de uma qualquer das outras.

02 outubro 2010

Santinho não... santão!

Serei só eu que acho ridículo que se diga "Santinho" às pessoas adultas quando elas espirram? O que é que isto quer dizer? Ou melhor, porque é que o santo é tão pequenino, afinal? Porque, OK, percebe-se que se diga "Santinho" aos pequeninos, porque olhamos para a cara deles e (a maior parte das vezes) é mesmo isso que eles parecem. Agora a um adulto...

Penso que é claro que ao dizermos "Santinho" estamos efectivamente a chamar santinho à pessoa que espirrou, por isso é que dizemos Santinho aos homens e Santinha às mulheres. A alternativa seria estarmos a invocar um qualquer santo que fosse igual em género ao do nosso interlocutor, mas não me parece que assim seja, até porque talvez um homem preferisse que se invocasse uma santa e vice-versa (que diriam os homossexuais e os travestis?), que confusão que não seria. Portanto, admitindo que lhes estamos a chamar Santinhos, porque não lhes chamar Santos a partir do momento em que fazem 18 anos? Ou então Senhor Santo, a partir dos, sei lá, 40?

É um bocado parecido com o facto de dizermos "para o menino" quando cantamos os parabéns a uma pessoa adulta. Mas aí sabemos que o fazemos de forma consciente (aliás, aqueles que tentam "manter as aparências" e dizer "para o senhor" no meu entender ficam mais mal que bem). Há até quem seja apologista de que quem faz anos é "bebé" no dia do seu aniversário. Chamar "menino" a uma pessoa adulta, conscientemente, no dia do seu aniversário, é fazer-lhe um elogio, é fazê-lo voltar aos seus tempos de infância, e portanto, quanto a isso não tenho nada contra.

Mas o "Santinho" é involuntário, é uma expressão que proferimos quase por reflexo, sem pensar nas consequências dos nossos actos. "Santinho" era algo que os nossos pais nos diziam desde pequeninos, que ficou gravado na nossa mente e que continuamos a usar com toda a gente na falta de uma expressão melhor. Não temos nada do nível de um "Bless You!" anglo-saxónico (algo parecido com "Deus te abençoe" quando traduzido à letra). Aliás os próprios estrangeiros, ao aprender português (já para não falar dos lusófonos do Brasil) têm dificuldade em perceber a expressão "Santinho/Santinha", substituindo-a frequentemente por "Viva" ou "Saúde", alternativas que não convencem (ninguém aqui diz "Saúde" assim do nada, e "Viva" é mais uma forma de cumprimento) mas mesmo assim são mais dignas. Outros, já portugueses, têm as suas próprias alternativas, que no fundo expõem o ridículo da situação, casos, por exemplo, de "Diabinho" ou "Nunca fostes" (sic).

E depois há também casos em que, além de ridícula, a expressão é desconfortável ou mesmo injusta, quando nos apercebemos que estamos a chamar santinho a alguém de quem não gostamos ou mesmo que, na nossa opinião, é tudo menos um santo. Imaginem dois lutadores de boxe naquelas conferências de imprensa que antecedem o combate:

- Este senhor que tenha cuidado comigo, porque no combate vou dar cabo dele.
- Eu não tenho medo, pá, bates como uma menina!
- Bato o quê? Queres ver se queres levar já!
- Anda cá, menina, que eu não tenho medo!
- É pá, eu parto-te todo, eu dou cabo de ti!
- Anda cá, anda cáaaaa... atchim!
- Santinho.

Pensem bem nisto. Chamariam santinho ao colega que foi promovido não por trabalhar de forma exemplar, mas por passar o tempo a dar graxa ao patrão e a falar mal dos outros? Chamariam santinha à colega coscuvilheira, que sabe tudo da vossa vida, vá-se lá saber como, e não se inibe de a contar a quem quer que seja que lhe apareça pela frente? Então e aquele senhor com ar de cinquentão, cabelo grisalho e nariz abatatado, que nos pede sempre para fazer sacrifícios mas depois não cumpre o que prometeu? Que lhe diriam a ele quando espirrasse? Tem que haver uma outra expressão. Tem que haver uma alternativa.

16 setembro 2010

O computador não me deixa...

Digam o que disserem, a informatização da função pública foi uma bênção divina para a população em geral. O Sócrates pode ser um vigarista, um incompetente, ou mesmo um vigarista incompetente, mas dessa mente burra e conspurcada saiu a ideia do Simplex, que para muitos é a melhor coisinha que já lhes aconteceu.

A começar pelos próprios funcionários públicos (e aqui advirto que vou usar o estereótipo do funcionário público, admitindo no entanto que nem todos os funcionários públicos são assim - embora você, que é funcionário público e depois de ler este artigo o irá achar escandaloso e atentador do seu orgulho e dos seus direitos como funcionário público, esteja provavelmente inserido neste grupo). Para já a ideia de usar computadores leva logo à conclusão de que será necessário fazer menos, o que é sempre uma mais-valia. Depois, têm que gastar tempo em formações nos referidos computadores e respectivo software, tempo esse que assim não gastam a trabalhar e que no fundo é bem passado porque toda a gente sabe que nas formações não se passa nada. Mas o golpe de génio é que a informática veio dar aos funcionários públicos a melhor desculpa possível para serem mesmo mauzinhos e não ceder numa vírgula aos pedidos extraordinários dos seus clientes (ou contribuintes, ou cidadãos). A desculpa do "o computador não me deixa".

Imaginemos um caso prático. No centro de saúde, um senhor quer passar à frente dos outros porque "só vai pedir umas análises e tem que apanhar um avião ao meio dia". OK, não é grande exemplo, mas ficamos com este. Nos tempos em que não havia computadores, a secretária tinha que lhe dizer que isso não era justo para os outros doentes, que alguns deles também podiam querer só pedir análises (embora soubesse de antemão que nenhum deles queria), enfim, o homem não ia ficar satisfeito, ia haver discussão, a coisa só se resolvia por exaustão ou por cedência da secretária. Mas agora é tudo muito mais fácil para a secretária, basta ela fazer a cara mais inocente do mundo, e dizer "Olhe, se fosse por mim você até passava para a frente, mas o computador não me deixa...". O homem, incrédulo, perguntava "então e não pode fazer nada?" e ela virava o monitor para ele, com a lista de doentes e dizia "Está a ver? Só consigo acrescentar o seu nome aqui em baixo, não dá para o meter no meio. Isto está mesmo feito para não deixar ninguém passar à frente". E o pobre do doente desistia e ia-se embora a praguejar contra os facínoras dos informáticos.

Aliás vê-se nesta expressão como os funcionários públicos vêem a sério o seu trabalho. É curiosa a inclusão do me em "o computador não me deixa", como se o computador tivesse uma aversão especial em relação àquele funcionário, que não o deixasse fazer a operação porque era aquele funcionário e não outro qualquer.  Para o funcionário, é como se ele tivesse uma relação pessoal com aquele computador, que às vezes é teimoso e caprichoso e não o deixa fazer o que quer. Para nós, por outro lado, dá vontade de responder "então passe o computador ao seu colega, pode ser que o deixe a ele!".

Devo dizer também que isto não se aplica só a funcionários públicos. Já vi muitos funcionários de empresas privadas a dizer o mesmo. Mas talvez os funcionários públicos (e ressalvo novamente que estou a falar do estereótipo) tenham maior prazer em utilizar a desculpa da teimosia do computador. O que, apesar de tudo, é um mito. Sim, como programador de software de gestão, posso afirmar que a ideia generalizada do "o computador não me deixa" é falsa. Isto porque - e salvo as operações que são mesmo proibidas por lei - para cada operação que suscite a desculpa do "computador não me deixa" há quase sempre, no menu de opções avançadas, uma opção que diz, basicamente, "deixar fazer o que o cliente quer", ou até uma outra forma mais fácil de contornar a coisa. Se ao menos os funcionários estivessem mais atentos nas formações...

Por fim, não quero fechar este artigo sem deixar de referir o estado de evolução da informatização da função pública, que vai no sentido de tornar os próprios funcionários públicos em autómatos. Alguns já começam a conversão, através de outra expressão muita corrente nos dias de hoje, que é a expressão do "tem que tirar a senha":

- Bom dia, eu queria pagar esta factura...
- Primeiro tem que tirar a senha.
- Mas... não está aqui mais ninguém!
- Meu senhor, não o posso atender sem antes tirar a senha.
(vou para tirar a senha, mas entretanto outra pessoa chega e tira a senha primeiro que eu)
PIIII PIIII
- Cinquenta e quatro!
- Olhe, mas eu estava aqui primeiro que este senhor!
- Qual é o número da sua senha?
- É o cinquenta e cinco. Mas...
- Ainda vou no cinquenta e quatro. Tem que aguardar até chamar o seu número.

07 setembro 2010

A maior invenção de todos os tempos

Uma pergunta de algibeira: qual é a maior invenção de todos os tempos? Que é que me dizem? A roda? A electricidade? A Internet? O porta-banana?

Não, meus amigos, a maior invenção de todos os tempos é isto:


Os anglófonos chamam-lhe zipper. Nós preferimos ser finos como os franceses e chamar-lhe fecho éclair. Como invenção, o fecho éclair é genial. É como o ovo de Colombo elevado ao cubo (o conceito, não o ovo em si, embora deixe à vossa imaginação o que significaria esta frase em sentido literal).
Vendo-o bem de perto, parece algo muito complicado, com aqueles ganchos a entrelaçar-se uns nos outros (quem já não tentou entrelaçá-los manualmente, acabando por desfazer tudo novamente no processo?), mas aquela pecinha que corre entrelaça-os na perfeição com toda a facilidade. É um sistema altamente complexo, e no entanto, ridiculamente simples.

Usar roupa com fecho éclair é andar com uma peça da mais elevada tecnologia. Aquilo é rápido a abrir e a fechar, é fácil de usar e é tão resistente que nos perguntamos como é que aqueles dentinhos entrelaçados uns nos outros aguentam sem se desfazerem (a não ser que se estrague, o que, há que admiti-lo, acontece de vez em quando). Ter um casaco que se abre com fecho éclair é como ter uma daquelas portas que se abrem sozinhas como na nave Enterprise do Caminho das Estrelas. Uma mala de viagem fechada com fecho éclair é tão ou mais resistente como se tivesse sido soldada a laser, embora ainda mais rapidamente. É sem dúvida o objecto que mais se aproxima da perfeição, basta ver que o fecho éclair já existe desde 1913 na mesma forma como o vemos hoje.

É por isso que não entendo porque é que a certa altura do nosso desenvolvimento decidimos trocar isto:


Por isto:


Como é que é possível que tenham voltado a colocar botões no fecho das calças? Isto, meus amigos, é um retrocesso na nossa tecnologia! Para que é que, tendo algo tão tecnologicamente avançado como o fecho éclair, fomos andar para trás no tempo e voltar a colocar botões? É como se um belo dia um estilista acordasse e dissesse: Sabem o que é que era mesmo fixe? É que as televisões voltassem todas a ser a preto e branco! É pá, era tipo uma moda, a malta jovem ia gostar daquilo, ia ser uma loucura! E o pior é que isto entrou na moda de tal maneira que as calças com fecho éclair praticamente desapareceram. Ultimamente, sempre que entro numa loja de jeans peço calças com fecho éclair, para ouvir de todas as vezes que já não há, que já não existem. Ao menos que nos dessem a alternativa, não?

Qual é a vantagem de ter botões no fecho das calças? Aquilo demora que tempos para abotoar, e é uma chatice quando é para desabotoar e voltar a abotoar só os botões do meio e deixar o de cima. Depois, para facilitar, abrimos só dois ou três botões para termos um mínimo de espaço para pôr a coisa cá para fora, e depois, claro, ficamos com a coisa apertada, uma coisa desconfortável até dizer chega. Com o uso, as casas dos botões vão-se desgastando e o segundo botão de cima acaba por andar sempre desabotoado. Uma lástima. E imagino a vergonha que é recompormo-nos depois de nos dizerem que temos a braguilha aberta: com fecho éclair fazemos simplesmente: Eia, pá, pois, é... ziiiip... já está. Com botões: Eia, que cena, ora deixa cá ver, agora entra este, agora vai este, agora vai eeeeste... este não quer entrar... aaaahhh... já está... espera, abriu-se um... espera aí... está.

Um mundo que troca a alta tecnologia por uma coisa tão retrógada como um botão. Depois queixam-se que o país não anda para a frente. A sério que não percebo. Só se for por causa de situações como esta...



28 agosto 2010

Jotalog no Facebook

Bem, o Jotalog já estava no Facebook... mais ou menos. Tinha um botão de Share no cantinho que ninguém sabia para que servia. Agora tem um botão de Like/Gostar/Curtir que é muito mais cool/fixe/bacana! E tem um novo design e uma nova página no Facebook para acumular fãs. Espero que gostem! (ou curtam. ou like.)

24 agosto 2010

Ó Sr. Engenheiro, olhe que eu levo a mal...

Continuamos nas coisas particularmente irritantes, e desta vez quero falar daquelas pessoas que se chegam sempre à frente quando é para pagar a conta do jantar. Como diz o povo, isto só neste país. Nos Estados Unidos, por exemplo, é comum e perfeitamente aceitável dividir a conta a meias, cada um paga a sua parte e todos ficam contentes. Mas em Portugal não, porque alguma mente iluminada lembrou-se de lançar a moda de que fica bem oferecer-se para pagar a conta. 

Mostra riqueza, ostentação, coisas do género. Mas vejamos, se há dois milhões de pobres em Portugal, então há quatro quintos da população portuguesa que se podem dar ao luxo de pagar a conta de vez em quando. É alguma coisa de especial? Não, é banalíssimo! E aliás, mesmo dos dois milhões de pobres acredito que haja para aí um milhão que insiste em pagar a conta mesmo não podendo. Se isto é mostrar riqueza, não estaremos já todos ricos afinal?

OK talvez esteja a ser um bocado injusto com a maioria da população. Porque normalmente o acto de pagar a conta pressupõe um certo quid pro quo, desta vez pago eu, da próxima vez pagas tu. E enquanto correr assim, tenho que dar a mão à palmatória, por mim tudo bem, não tenho nada contra. Problema nº 1: ninguém realmente conta as vezes que cada um paga, e ai de quem contar porque fica logo mal visto. Problema nº 2: há certas pessoas que nunca contam e pagam sempre! Não estou propriamente a falar de pessoas que ganhem muito mais que eu (e mesmo se estivesse!), estou a falar de pessoas como eu e tu e toda a gente que tem o mínimo necessário para poder ler este blog. E com estas pessoas é impossível lidar: elas chegam-se sempre à frente, elas têm sempre o vocabulário na ponta da língua ("deixa estar", "já está tratado", "eu insisto", "eu faço questão", "ah, nem penses nisso", "guarda lá a carteira"), elas lançam charme para cima do empregado porque é sempre o dinheiro deles que ele aceita, nunca o nosso. E no fim, sorriem satisfeitos, olhando para nós que estamos cheios de vergonha e sentimentos de culpa, só faltando mesmo o riso maquiavélico no final: AH AH AH AH! CONSEGUI! MAIS UMA VEZ CONSEGUI! MAIS UMA EM QUE NÃO VOS DEIXO PAGAR A CONTA! AH! AH! AH! AH! AH!

Que raio de sociedade é esta que nos faz sentirmo-nos culpados por ficarmos com o dinheiro para nós? Se a outra pessoa se ofereceu para pagar de livre e espontânea vontade, porque nos sentimos mal com isso? Mas a sociedade é assim, e por isso temos que arranjar subterfúgios para conseguirmos pagar a conta à frente dos outros. Técnica nº 1: chamar o empregado e pagar sem que nenhum dos outros se tenha apercebido. Técnica nº 2: ser o primeiro a puxar da carteira, ter sempre dinheiro trocado à mão, ou então puxar logo de uma nota ou do cartão enquanto os outros procuram pelos trocos. Técnica nº 3, em último caso: tentar dar um argumento convincente, do tipo "na minha terra pago eu, quando estivermos na tua terra pagas tu", mas nem sempre funciona. E cuidado, há sempre algum risco em usar estas técnicas com as pessoas que pagam sempre, porque elas podem ficar visivelmente chateadas connosco.

Eu confesso, eu devo conseguir pagar a conta em 10% das vezes em que me vejo nesta situação. Não é que não me chegue à frente, mas ou não sou suficientemente rápido, ou não sou suficientemente convincente, e sobretudo porque não gosto de discussões ad aeternum do tipo "Ora essa, pago eu / Ora essa, deixe estar / Não, desta vez pago eu / Homem, deixe estar isso / Não não, eu insisto", por isso, se a pessoa insistir em pagar pela segunda vez, eu simplesmente... deixo-a. Sim, corro o risco de que comecem a olhar para mim de lado e a pensar "é pá, este gajo vem sempre comer connosco e nunca paga a conta...", mas estou de consciência tranquila, afinal o que querem que eu faça?

É que esta gente que se oferece sempre para pagar é particularmente irritante! Eu imagino o que aconteceria se duas dessas pessoas tivessem de partilhar um jantar...


Bónus: isto faz-me lembrar algumas memórias bem antigas, de quando eu tinha 7 ou 8 anos. As discussões que a minha avó tinha com as minhas tias-avós porque estas lhe queriam pagar não sei o quê e a minha avó não queria aceitar. Primeiro, elas punham o dinheiro nas mãos uma da outra, mas nenhuma delas o queria, aos gritos de "Toma lá! / Não quero nada disso! / Ó mulher, toma lá o dinheiro! / Não quero!". Depois, tentavam esconder a nota bem dobrada no bolso uma da outra, mas depois a outra descobria e era ela que ia tentar meter a nota no bolso da primeira. Por fim, as minhas tias olhavam para mim e para a minha irmã mais nova e davam-nos o dinheiro a nós, e eu diria que 1 em cada 4 vezes a minha avó ainda ia buscar o dinheiro e tentar devolver-lhes, mas a maior parte das vezes a coisa resultava, e eu e a minha irmã é que ganhávamos. $$$$$ :D

22 julho 2010

Não percebi...

Esta também vai para a categoria das coisas particularmente irritantes. Como coisa particularmente irritante, é muito grande para meter no Facebook, e terrivelmente enorme para o Twitter, por isso vai para o blog. Como artigo do blog, é no entanto pequenino, para não vos maçar muito.

Eu (acho que) devo ter um problema qualquer de audição, por isso isto acontece-me com alguma frequência:

- João, faz-me um favor, vai ao meu carro, abre o porta-luvas e traz-me o grpdhgl que lá deve estar.
- Trago o quê?
- Vais ao meu carro, levas a chave, abres o porta-luvas e deve lá estar o gfohijçdl, depois trazes-mo.
- Desculpa, não percebi.
- Ó homem, VAIS AO MEU CARRO, ABRes o porta-luvas e tiras de lá o gasdjasjg!!!!
- MAS TIRO O QUÊ????
- OS ÓCULOS!
- AAAAAHHHH!

Porque é que sempre que pedimos para repetir uma frase, repetem-na toda desde o início, quando é sempre a última parte da frase que não percebemos? Eu diria que em 95% das vezes que pedimos para repetir uma frase, é porque não percebemos a última ou uma das últimas palavras. Quase sempre, a mais importante, a que dá o contexto ao resto da frase. E no entanto, quando pedimos para repetir, repetem-na sempre toda desde o início, e quando chegam à parte que não percebemos, da qual estamos ansiosamente à espera, dizem-na exactamente da mesma maneira, de forma que não a percebemos novamente.

Reparem, se eu não percebesse o início da frase, interrompia-a logo no início. Se eu não percebesse o fim, mas a parte que não tivesse percebido não fosse importante, ignorava-a. A parte que peço para repetir é sempre a última, é sempre a mais importante. Da próxima vez, por favor façam antes isto.

- João, faz-me um favor, vai ao meu carro, abre o porta-luvas e traz-me o grpdhgl que lá deve estar.
- Trago o quê?
- Os óculos.

É difícil?

09 julho 2010

E tu, sentes-te um rato de laboratório?

Este artigo é a primeira "sequela" que escrevo no Jotalog, e é dedicado a todos aqueles a quem andei a anunciar o meu último artigo, Um dia na vida de um rato de laboratório, e que me perguntaram instintivamente "E tu, sentes-te um rato de laboratório?".

Nunca esperei que me perguntassem isso, e quem leu depois o artigo penso que percebeu porquê, mas a minha perplexidade ia para além da simples surpresa. A pergunta que comecei a fazer aos meus últimos interlocutores, "Porque é que toda a gente me pergunta isso?" escondia uma outra pergunta mais complexa, uma que fiz a mim mesmo mas não consegui pronunciar em voz alta. "Sentir-se um rato de laboratório? Mas o que é que eles querem dizer com isso?"

Sim, de certeza que todos vocês acham bem claro o que é sentir-se um rato de laboratório. Eu fiz a minha pesquisa. Eu diria que é sentir que não controlamos nada, que somos um joguete nas mãos do sistema, que não temos escolha senão percorrer o labirinto para chegar à comida, que muitas vezes pode nem lá estar. O artigo Ratos, pessoas e trabalho que encontrei enquanto pesquisava na Internet sobre o assunto tem uma boa explicação do que é sentirmo-nos ratos de laboratório quando no local de trabalho, e admito que, desse ponto de vista, também me sinta um rato de laboratório, por vezes. Deixo-vos um excerto, mas se puderem leiam o artigo inteiro que é bastante interessante:

Falava ainda das jornadas excessivas e da dedicação pessoal quase que exclusiva a ele. O paralelo com os ratos de laboratório parecia-lhe inevitável. Os tais ratos só recebem alguma recompensa (comida ou água) depois de cumprirem alguma manobra esperada pelo pesquisador, e não podem interferir nem discutir a forma mais adequada de realizá-la. Sem possibilidades de escolha, nem de indicar o que lhe é mais motivacional no momento para “trabalhar”, o rato “aceita” a recompensa. Além do mais, dizia o executivo, o rato não sai do laboratório; trabalho é o seu lema.

De qualquer forma, têm que perceber a minha posição quando me perguntei o que é que queriam dizer com isso. "Um dia na vida de um rato de laboratório" surgiu-me ao ler um livro sobre o cérebro humano, em que a certa altura contavam as experiências feitas com ratos para lhes provocar reacções emocionais. Daí a pensar "coitado do rato", e depois a tentar ver as coisas do ponto de vista dele foi um saltinho. "Um dia na vida de um rato de laboratório" é sobre um rato real, branquinho, com patas cor-de-rosa, olhos grandes e meigos, nariz e bigodes irrequietos, chamado Mickey. Por isso não percebi na altura porque me perguntavam se me sentia rato de laboratório. O Mickey não era uma reflexão da minha personalidade. Era só um ratinho.

Acima de tudo, irritou-me que os meus incautos potenciais leitores julgassem que eu não conseguiria separar as minhas personagens de mim próprio. Como se atrevem? Quer dizer então que se eu escrevesse, por exemplo, "Um dia na vida de um pássaro numa gaiola" (oh, que lindo dia! Lá lá lá laralá! ora, onde vou hoje? Vou ali para o fundo da gaiola... já lá estou! Que fixe! E agora, e agora? Agora... para o comedouro! Ena! Sabem o que me apetece mesmo? É ir ali andar de baloiço! Woooo! Que espectáculo, já não andava de baloiço há quê, 5 minutos! Lá lá laralalá! Estou tão feliz!) iam perguntar-me se me sentia um pássaro na gaiola? Ou se eu escrevesse, tipo, "Um dia na vida de uma formiga" (com licença, com licença, com licença, com lic... hã? É para ali, o açúcar está para ali! Segue o carreiro! Novatos, pá! Que paciência... Com licença, com licença... olá! Tudo bem? Estás fixe? Liga-me, está bem? Com licença, com licença...) será que me perguntavam logo se me sentia uma formiga? Então e se fosse "Um dia na vida de um leão da savana"? (ora bem, com qual das minhas leoas é que vou acasalar hoje, depois de comer a gazela fresquinha que elas estão a caçar de propósito para mim? Hum...). Bem, sobre essa se calhar podem perguntar.

23 junho 2010

Um dia na vida de um rato de laboratório

Woohoo! Tocou a campainha! Está na hora da comida! Vamos lá, vamos lá!

OK a portinhola vai abrir em 5 segundos... 4... 3... anda lá! 2... 1... aqui vou eu! Primeiro vira-se à esquerda, depois vira-se à direita... aqui faz-se a curva de gancho... já sei este caminho de trás para a frente! A comida está sempre lá ao fundo. Ya, já explorei os cantinhos todos da coisa e a comida aparece sempre no mesmo sítio. E estas paredes com espelhos também já não me enganam. Já sei que mostram o meu reflexo. Eia o que eu me passei com elas no início! Pensava que era outro gajo igual a mim! Que parvo! O que eu me ri quando soube! Agora à direita, à direita outra vez, dá a volta à rotunda e está no fundo do corredor. Já a vejo!

Vamos lá, toca a despachar que daqui a pouco fecha-se a portinhola e a comida vai para dentro. Estou quase a chegar... estou quase a chegar. Aqui est... ei! Não me puxem pelo rabo! Ei, o que é que estão a fazer? Quem és tu? Eia pá, és buéda grande. Todo de branco e o caraças... deves pensar que tens pinta. OK já me puseram no chão. Onde é que eu estou? Onde é que está a comida? Deixa ver se está aqui neste cant... ei, estejam quietos! Estou no mesmo sítio. Deve estar para o outro lado. Vou... ei! Já me estou a chatear! Se me chateiam ainda vos mordo essa coisa metálica e pontiaguda que estão a apontar para mim! Que é essa coisa? Que é que querem fazer com isso? Olha, está a mexer-se. Onde é que levam isso? Onde é que ela foi? AAAAAAUUUU! Isso dói! Então mens, estão-se a passar? AU! Estejam quietos! Au!

Woooowww...

Eia man... que pedrada... está tudo a andar à roda... parece que estou a voar... ena estou a andar de avião, wooooooooooohoooooo! Eh eeeeeehhhh... isto é buéda fixe... então pá estás fixe? ya, na boa... hã? ah, não era ninguém... não era ninguém... woooooooooo... altamente...

Ora bem, Mickey... controla-te pá! Onde é que eu estou? Ya, estou em casa outra vez. Vamos ver se ainda lá está a comida. Isto da pedrada dá-me cá uma fome! Ora bem, como é que é? Vira-se à direita, depois vira-se à esquerda, hã? ai pera, não é aqui. Eia men... Vira-se à esquerda, e depois à direita, ok, agora está bem. Agor... ooolááá... quem és tu? Eu conheço-te de algum lado... ya agora não tou a ver man... Ah! Comida! Pois! Lá vou eu. Também vens? Baril.

Ora bem, eu nem vejo bem mas deve ser por aqui. Vira à direita, vira à esquerda e... não, não é isto. Vira à esquerda, vira à direita e vai pelo corredor. Ai o camandro... OK, pensa Mickey. Pensa. Vira à direita. Vira à esquerda. OK. Dá a volta à rotunda. Segue o corredor. FODA-SE MICKEY! CONTROLA-TE MENZ! E tu não estejas a olhar para mim! Achas piada, é? Que é que tu queres, pá? Levas uma lambina que até te viro! Não quê? Não quê? Ai agora levas. Agora lev... au!

Tou fodido men. É escusado. Às tantas já tiraram a comida. Nunca mais apanho uma pedra destas, mens. Nunca mais. Já nem sei o caminho para casa. Olha vou por aqui, que se lixe. Fico aí a dormir no chão ou assim. Man, que dor de cabeça. Tou todo... é pá... Tou assim mesmo completamente... pá... é pá é que é mesmo... tipo... é pá não tenho palavras. Tou assim tipo... uma cena daquelas tipo... hã? Aquilo é comida... Aquilo é comida! Yes! Yes! Yes! Consegui, manz! É assim mesmo, Mickey Fernando, eu sabia que conseguias!

Huuuuuuummmm.... queijo para a sobremesa...

28 abril 2010

Decotes...


É verdade, chegámos àquela altura do ano. Aquela altura em que desaparecem as camisolas de lã e as mangas compridas, para voltar a hibernar por seis meses, e regressam as mangas curtas, as saias e calções, e... os decotes. O post de hoje foi inspirado no recentemente criado grupo do Facebook Adoro andar e ver um bom decote (no qual se poderão ver mais algumas opiniões e considerações sobre o assunto), mas a maior inspiração veio de sair à rua e constatar que, efectivamente, eles voltaram. Voltaram, e são com certeza uma delícia para os nossos olhos, mas como diz o Jerry Seinfeld no vídeo acima, "Olhar para um decote é como olhar para o sol: não podes ficar pasmado a olhar, dás só uma olhadela e viras-te para o outro lado." Os decotes (e as razões para os usar ou para olhar para eles) fazem parte da mais básica natureza intuitiva humana e sempre foram um problema para quem hiperanalisa a realidade e tenta explicá-la por palavras, como eu. Ou se percebem imediatamente à primeira, ou nunca se conseguirão perceber. Eu tendo a pender para o segundo caso, mas ainda assim vou arriscar dar resposta a duas ou três das questões mais comuns sobre este tema:

Pergunta 1: Porque é que elas usam decotes, mas ralham com os que apanham a olhar para eles?
Como devem imaginar não sou especialista no assunto, por isso não me vou alongar muito na resposta. Mas o meu palpite é que elas naturalmente sabem que têm algo que exerce este poder sobre os homens e não resistem a usá-lo a seu bel prazer. Por outro lado, deve dar-lhes um gozo danado apanhar o seu interlocutor em flagrante e mandar o típico "Eh, estou cá em cima!", embaraçando-o irremediavelmente. Mas também, as mulheres são aquelas que dizem não quando querem dizer sim, como é que querem que eu saiba...

Pergunta 2: Porque é que eles estão sempre a olhar para os decotes delas?
Numa palavra: porque são ir-re-sis-tí-veis. E não estou a falar em irresistível no sentido romântico, mas mesmo no sentido físico, literal da palavra. Simplesmente, não é possível resistir. Aqui tenho de recorrer ao mais básico e primitivo instinto humano, é algo que não se entende nem se consegue justificar. Se houver um decote num campo de visão de um homem, ele vai olhar para ele. Se ele estiver a conversar frente a frente com uma mulher com decote, então ele está tramado, porque vai ter um homenzinho irritante na sua cabeça a chateá-lo a cada 30 segundos e a dizer "olha o decote", "já viste o decote?", "lá está outra vez o decote", "já te esqueceste do decote?", tirando-lhe toda a concentração no assunto da conversa. Por mais boas intenções que tivéssemos de tentar evitar olhar para um decote, não o conseguiríamos fazer, porque reparem: não é uma questão de "tenho de olhar para este decote, não consigo resistir", é antes uma questão de "hã? estou a olhar para o decote? como é que isto aconteceu?". Para vos dar um termo de comparação, assim como não conseguem evitar piscar os olhos de tempos a tempos porque o vosso cérebro os manda piscar mesmo sem vocês saberem, também os olhos masculinos são atraídos para os decotes sem que se apercebam, e só passados alguns segundos é que reparam no que estão a fazer. Bem, o que fazem depois disso é que já pode variar, há os que desviam logo o olhar por segurança, os que arriscam mais um pouco só para melhor assimilar a informação, e o que ficam a "olhar fixamente para o sol", com risco de darem cabo da retina...

Pergunta 3: Porque é que um decote que se vê na rua é mais interessante que uma mulher semi-nua na capa de uma revista?
Esta merece uma resposta mais elaborada e pode dar lugar a alguma divergência de opiniões. Em primeiro lugar, os factos: enquanto os decotes são completamente irresistíveis, conforme já referi acima, as mulheres nuas em capas de revistas não o são. Simplesmente, ao olhar para as mulheres em capas de revistas, temos a sensação que elas são todas iguais, que já está tudo visto, que é sempre a mesma coisa. Ao olhar para os decotes, sabemos igualmente que são todos iguais, mas mesmo assim não conseguimos resistir-lhes. Em relação às razões para isso, postulei duas hipóteses: a primeira é o clássico fascínio do 3D em relação ao 2D, ou, pondo as coisas de outra forma, o facto de o decote que vemos é em 3 dimensões, é real, está perto de nós, em última instância poderíamos até tocar-lhe, em oposição a uma fotografia que é em 2D, é virtual, não é palpável. Mas a segunda hipótese é certamente mais interessante, e é o facto de sermos atraídos pela possibilidade de sermos apanhados a olhar para o decote. Tal como os casos extra-conjugais e o sexo em público, a verdadeira excitação não vem do acto em si mas da possibilidade de serem apanhados a fazê-lo (mesmo que na prática, se isso acontecesse, ficariam muito mais embaraçados do que excitados, e a coisa não correria assim tão bem). E obviamente isto é algo que não se consegue a olhar para uma revista.

Por este motivo, encontramos um paralelismo interessante entre os homens e as mulheres, no que toca a decotes: elas repreendem-nos quando os apanham a olhar, mas no fundo, no fundo, elas gostam que eles olhem. E eles tentam olhar o máximo que puderem sem serem apanhados, quando no fundo, no fundo, eles gostavam que elas reparassem. Como algo tão simples como um decote é capaz de provocar tantas contradições, é algo que está fora dos meus limites de compreensão. Ou se entende da primeira vez, ou nunca se conseguirá entender. Não existe outro remédio que não apelar mais uma vez ao mais básico e primitivo instinto natural humano, e esse não quer saber porque os decotes fazem isto ou aquilo, simplesmente nos diz: "Venham eles!"

23 abril 2010

Top 10 dos Artigos Mirabolantes do Catálogo da D-Mail

Ah, o catálogo da D-Mail, o catálogo da D-Mail... É uma alegria quando chega às nossas casas, bem disfarçado no meio de um jornal ou uma revista! Com uma panóplia de artigos fantásticos de que nós nem sabíamos que precisávamos, mas que dão imenso jeito, o catálogo da D-Mail aparece-nos de surpresa para nos facilitar a vida. Longe vão os tempos do famoso e clássico Massajador Facial (embora ainda exista!), os novos catálogos têm os produtos mais variados, aliados às mais altas tecnologias, para melhorar substancialmente a sua qualidade de vida.

A escolha entre os vários produtos do catálogo é rica e variada, mas eu decidi fazer uma selecção dos melhores artigos deste fantástico catálogo (edição de Março de 2010). Ou melhor, os mais mirabolantes. A crítica não é inédita, uma pesquisa pela Web mostrou artigos semelhantes aqui e aqui. Mas felizmente, os produtos escolhidos neste sites são diferentes do meu Top pessoal. Aqui vai o

Top 10 - Artigos Mirabolantes do Catálogo da D-Mail

Nº 10 - A espátula de bolos irritante

Inserida na categoria "coisas que quando comprei até faziam sentido mas depois de usar não têm jeito nenhum", esta espátula para bolos que toca o "Parabéns a você" quando vai a servir o bolo até pode ser uma boa ideia na teoria, mas imagino quantas vezes ela irá tocar até tirarem a pilha para a lavar e não voltarem a pô-la. Com um toque que adivinho ser semelhante ao dos postais cantantes, não bastarão 30 segundos até que alguém diga "É pá, desliga lá isso!".

Nº 9 - A utilíssima pinça para... torradas

OK, admito que a pinça possa ser muito útil, para agarrar cubos de gelo, ou gomas, ou bolinhas de chocolate, ou azeitonas do frasco, ou, sei lá, alguma coisa do género. Mas para torradas? Qual é o problema de apanhar as torradas com os dedos? Obviamente devem ter pensado que se apanham queimaduras de 2º e 3º grau a apanhar torradas com a mão... Já agora, será que a pinça também barra manteiga?





Nº 8 - Aspirador para quê?

Aspiradores? Vassouras? Isso é coisa do passado. Agora há os Chinelos Deslizantes de Microfibra. Basta calçar os chinelos, e agora: arraste-se pela casa toda. Ah ah, não vale correr, senão há zonas que não ficam limpas. Não se esqueça de ir dar uma volta aos cantos da casa.










Nº 7 - Melhor que enfiar o dedo no nariz

O seu marido ressona e acorda a vizinhança? Não se preocupe. A solução é: enfiar-lhe um clip com duas bolas pelo nariz adentro! Se lhe tapam o nariz ele deixa de respirar, se deixa de respirar... problema resolvido! De qualquer forma, é melhor começar a dormir no quarto ao lado, se fosse eu não queria ficar por perto no momento em que ele espirrasse...

Nº 6 - O saca-rolhas gigante

Aqui está mais um exemplo de como a tecnologia às vezes até parece que nos vem facilitar a vida, e com a melhor das intenções, mas afinal atrapalha mais do que ajuda. OK, o saca-rolhas é electrónico, carrega-se num botão e lá sai a rolha, mas... era preciso uma coisa tão grande? O saca-rolhas é do tamanho da garrafa! Nem pense sequer em tentar colocá-lo na gaveta dos utensílios, ele terá de ocupar o seu lugar na garrafeira, junto com as outras garrafas. Assim como assim, só vejo duas ocasiões em que este saca-rolhas teria sucesso: para utilizar caso seja preciso bater em alguém, e... para o empregado de mesa o trazer dentro do bolso...

Nº 5 - Então não sabe onde guardar os alhos?

Parece ter escapado a esta gente que os alhos se podem guardar num recipiente qualquer, num tupperware dos mais pequenos e dos mais baratos. Mas teria a mesma piada? Não, não teria. Tem que ser um recipiente bonito, em forma de alho, com uma parte branca e outra transparente. Com capacidade para: 1 alho. Não, não tente meter lá duas cabeças de alho, porque só cabe lá uma. Ou quer aproveitar a nossa promoção de levar 3 recipientes para um alho  e pagar apenas 2?

Nº 4 - Adeus queimaduras, olá comida no chão!

Esta pega de aço cromado para tirar coisas do forno só pode fazer sentido na fotografia. Primeiro, pegar nela adivinha-se ser do mais desconfortável possível, e depois a base em forma de mão parece manifestamente insuficiente para pegar nos tabuleiros mais compridos - que coincidentemente, são aqueles que vão mais vezes ao forno! Não tardaria muito até que começássemos a ver a comida no chão... e a pega no caixote do lixo!

Nº 3 - O assador de frangos do Peter Gabriel

Lembram-se do video-clip do Sledgehammer com os frangos a dançar? Pois o Peter Gabriel de certeza que tinha um destes assadores de frangos em casa. Basta enfiar o cone do assador no "buraco" do frango, e poderão observar como o frango assa sem perder a dignidade. Com um bocado de sorte, ainda o vêem a dançar no forno!












Nº 2 - Ideal para passar vergonhas no aeroporto

Quer dar um pouco de cor e textura à sua vida? Que tal vestir o seu trolley? A sua bagagem fica duplamente protegida, com o tipo de protecção que só um pano fino e elástico lhe poderá trazer. É é claro que com estes padrões lindos de morrer, não será de admirar que atraia os olhares indiscretos dos outros transeuntes quando passar de ar decidido no aeroporto com o seu trolley pela mão...


E por fim o...

Nº 1 - O porta-banana

Veja só isto e não me diga que não é aquilo com que sempre sonhou. É um recipiente... para transportar... uma banana! Sempre quis transportar uma banana no bolso das calças mas teve medo que ela se esborrachasse? Agora pode fazê-lo! Quer levar a sua banana na pasta de negócios mas não quer ver documentos embananados? Use o porta-banana! Leve-o sempre na sua mala de senhora: nunca se sabe quando um porta-banana pode ser preciso! Este porta-banana tem uma zona extensível para que possa proteger bananas dos mais variados tamanhos. Não vá em imitações, este é o único utensílio que garante que a sua banana fica devidamente protegida! Porque nunca se sabe quando lhe vai dar a fome...

09 abril 2010

Um tributo à Message Box

Como programador de aplicações desktop (ou seja as que se instalam no computador), volta e meia chega sempre aquela altura nefasta em que tenho de colocar uma caixa de mensagens, uma Message Box, para informar ou perguntar alguma coisa ao utilizador. Falo daquelas caixinhas irritantes que têm botões de OK e Cancelar, ou de Sim e Não, que aparecem sempre quando menos se espera.

Sei que são irritantes porque eu próprio, como utilizador, fico por vezes irritado com elas, quando aparecem repetidamente e muitas vezes sem necessidade. As inúmeras caixas de "posso actualizar o programa?", que nos aparecem à frente sempre que queremos trabalhar nesse mesmo programa e nos fazem perder tempo, são chatas até dizer "chega, vou mas é desinstalar isto que não posso mais". Aliás, uma grande vantagem do browser Google Chrome é a maneira inteligente como ele se actualiza: sozinho, sem nos perguntar nada, sem ter sequer a pretensão de mostrar que foi actualizado. Sem nos fazer perder tempo.

Mas dizia eu que de vez em quando lá vem a necessidade de programar uma dessas caixinhas de mensagens. Porque às vezes tem mesmo que ser, tem mesmo de se informar ou dar a escolha ao utilizador antes de prosseguir. Exemplos disso são as clássicas caixas de "Deseja gravar as alterações?" ou "Tem a certeza de que quer apagar este ficheiro?", que representam uma segurança para o caso de o utilizador ter feito algo que não queria. Mas uma nova caixa de mensagens tem de ser tratada com todo o cuidado: a mensagem deve ser o mais simples e clara possível, os botões não devem ter mais de uma ou duas palavras, a opção pré-seleccionada deve ser escolhida de forma ao utilizador não fazer asneira só por carregar na tecla Enter. Por isso cada vez mais as directivas para programadores são evitar ao máximo as caixas de mensagens, e se não puder evitá-las, fazê-las o mais simples possível:


E isto porquê? Porque depressa ficou provado que grande parte dos utilizadores não lê as mensagens escritas nestas caixas! Para eles uma caixa de mensagens é apenas algo que lhes aparece à frente e de que se têm que livrar o mais depressa possível. A maior parte deles lê as primeiras palavras e toma logo a decisão de carregar no Sim ou no Não; alguns não lêem nada sequer e simplesmente clicam num dos botões esperando que a mensagem desapareça (e se não desaparecer tentam novamente com cada um dos outros). Daí se percebe como pode ser frustrante para um programador, que só colocou a caixa de mensagem porque não tinha alternativa, e que teve tanto cuidado na escolha da mensagem certa, verificar que afinal ninguém a lê. 


Têm-me acontecido algumas situações caricatas com caixas de mensagens nos últimos dias, e por isso gostava de partilhar convosco alguns dos problemas mais comuns. São caixas de mensagens que muitas vezes não funcionam por excessiva pressa do utilizador, quando afinal o problema seria facilmente resolvido se se lesse o que lá está escrito:

1 - Os que cancelam sempre na mensagem de erro.


Eu sei o que estão a pensar. "É uma mensagem de erro, por isso não me interessa, não sou eu que o vou resolver". O problema é que cancelar a operação não vai resolver o problema, porque continuam a precisar de fazer a operação, e quando o fizerem, esta caixa vai aparecer novamente. Mas se lessem a mensagem verificavam que afinal o ficheiro que queriam abrir não existe, ou que o CD que devia estar a correr afinal está na vossa mão, ou que basta clicar no OK para resolver o problema.

Aconteceu há dias algo semelhante com um colega de trabalho: chamou-me porque tinha alterado o nome do PC e o programa XPTO tinha deixado de funcionar porque ainda tinha o nome antigo. Mas quando aparecia a caixa "Deseja alterar as configurações?", ele clicava sempre no "Não". Afinal bastava carregar no "Sim" para que aparecesse uma opção para colocar o nome correcto.

2 - Os que clicam no OK mais rápido que a própria sombra.


Uma mensagem informativa serve para isso mesmo, para informar o utilizador. Por isso, lá porque tem só um botão não é razão para clicar nesse botão o mais rápido possível. A mensagem pode estar simplesmente a dizer o que deve fazer a seguir.

3 - Aqueles para os quais todas as mensagens estão escritas em chinês


Existe a clássica situação do cliente que telefona para a assistência técnica e diz "O programa diz "Insira o CD para continuar." O que é que eu faço?". Não é piada, já tem acontecido. Neste caso, eles até leram a mensagem, mas como vinha numa dessas caixinhas, acharam que não a iam perceber de qualquer forma. Note-se que não se trata de burrice do utilizador, é simplesmente porque ele não quer saber o que a mensagem diz. Mas olhem que às vezes é mais rápido perceber a mensagem do que ligar para assistência técnica...

4 - Os que veem dúvidas existenciais nas caixas de mensagens


Por vezes as caixas de mensagens representam um verdadeiro dilema. A típica "Deseja gravar as alterações?" é normalmente tratada com muito cuidado, as pessoas param realmente para pensar se estão a clicar no botão correcto. Mas isto não é razão para clicar no "Cancelar" só para adiar a resolução do problema, ou, pior ainda, para evitar mexer em computadores só para não ter que lidar com ele. Muitas mensagens não são tão simples como a "Deseja gravar as alterações?", mas o texto da mensagem explicar-vos-á o que está a acontecer e ajudar-vos-á a escolher a melhor opção.

5 - Os que gostam de ver o progresso ficar a meio.


Sim, eu sei, as actualizações são chatas. Mas às vezes um programa tem mesmo de actualizar atualizar, de outra forma não funciona!
Isto aconteceu-me hoje com um cliente. Ao iniciar o computador dele deparou-se repetidas vezes com a imagem de uma barra de progresso a querer actualizar um programa. O cliente clicava sempre no "Cancelar" mas passados dois segundos, a barra de progresso voltava novamente! Ele teve de clicar no "Cancelar" pelo menos umas dez vezes até conseguir fechar o programa completamente. Não percebeu que se deixasse o programa actualizar até ao fim, não só demorava menos tempo a fechá-lo, como da próxima vez que iniciasse o computador, a barra de progresso já não apareceria.
Lembre-se sempre que se cancelar uma operação que precisa de ser feita, ela voltará novamente para o atormentar. Por vezes é preferível perder algum tempo agora para ganhar muito tempo no futuro.

6 - Os que não trocam os seus botões por nada


Há algumas mensagens muita chatas. Por exemplo aquelas que mostram a "dica do dia" ao iniciar o programa, que já passaram tantas vezes que as dicas já deram a volta três vezes. Ou aquelas que dão uma informação importante mas que já passou tantas vezes que já estão fartos de saber.
Mas mesmo assim, continuam a clicar no "OK" para fazer a mensagem desaparecer e nem sequer reparam na opção que diz "Não voltar a mostrar esta mensagem". Esta opção está lá por um motivo. O programador sabe que a mensagem não é para ser vista todas as vezes. Serve para informar o utilizador a primeira vez que a vê, porque da próxima vez ele já sabe e não precisa de a ler novamente.
No entanto, aparentemente, os utilizadores das caixas de mensagens desenvolveram uma obsessão por clicar em botões, de tal maneira que seria impensável usar outras ferramentas (até porque precisam de dois cliques, dois! para fazer a caixa desaparecer. É um escândalo!).
Lembrem-se que tudo o que estiver a mais numa caixa de mensagens está lá para vos ajudar. Se explorarem todas as opções poderão poupar tempo no futuro.